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Racismo ainda está entre nós

publicado: 26/11/2019 16h41, última modificação: 05/12/2019 12h58
Anna Flávia Costa – Metalurgia 1D1
Ronisson de Freitas – Metalurgia 1D1

No Brasil a abolição da escravidão aconteceu no dia de 13 de maio de 1888 por meio da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel. Nós, brasileiros, achávamos que a escravidão já tinha definitivamente acabado em nosso país, mas infelizmente não, porque ainda há pessoas que trabalham em regime de escravidão. Em 2018, fiscais identificaram 1,7 mil casos de trabalho escravo no Brasil, a maioria estavam em áreas rurais e já foram resgatados pelos órgãos responsáveis.

A população negra é a mais afetada pela desigualdade e pela violência no Brasil, é o que alerta a Organizações das Nações Unidas (ONU). No mercado de trabalho, pretos e partos enfrentam mais dificuldades na progressão da carreira, na igualdade salarial e são mais vulneráveis ao assédio moral, afirma o Ministério Público do Trabalho.

Quando os negros escravos chegaram ao Brasil, trazidos da África de variados grupos étnicos, eles trouxeram consigo as suas crenças e rituais, e ao correr do tempo foram aculturados, catequizados e convertidos ao catolicismo. Nos últimos anos, temos vivenciado uma onda de ataques às religiões de matriz africana e afro-brasileiras que tem se intensificado desde o final de 2014, o que aponta para a desvalorização e demonização da cultura negra no país.

Alguns alunos do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), campus Ouro Preto, foram entrevistados com o objetivo de saber se concordavam ou não com alguns acontecimentos que poderiam ocorrer no ambiente escolar com relação ao racismo. O gráfico a seguir foi elaborado a partir da pergunta “A sua escola aborda o racismo?”, respondida por alunos negros e brancos.

O gráfico demonstra que, dos 107 participantes da pesquisa, 31 alunos responderam que a escola não aborda o racismo devidamente (16 homens e 15 mulheres) e que 76 disseram que sim (31 homens e 45 mulheres).

Em entrevista, Ariel (nome fictício), estudante de Administração da UFOP, que preferiu não se identificar, relata sobre o racismo sofrido quando criança:

 "Sabe quando você acorda no meio da madrugada lembrando-se de algo que aconteceu há anos e colocando tudo sobre uma perspectiva atual”.

Na quarta série minha turma tinha uma apresentação de fim de ano sobre as origens étnicas, completamente feitas pela professora. Por estudar em uma escola particular, naquela época não era comum ter negros, havia mais dois alunos comigo no grupo de afrodescendentes. Até aí “okay”. Mas, o que mais me marcou foi que no dia da apresentação todos os grupos estavam muito bonitinhos com seus trajes típicos, quando eu olhei pra mim e lembro tudo que eu conseguia pensar era porque eu estava vestido de pano de chão. Sim, ao invés de mostrar a minha ascendência como as outras, eles mostraram literalmente três crianças na pior situação possível.

Na época eu era uma criança não podia nem ao menos entender o que estava acontecendo ou a violência que eu estava sofrendo, quanto mais me defender. Não podia falar que: "Nós não somos escravos, somos reis e rainhas que foram feitos prisioneiros. Não somos o que vocês nos fizeram, somos herdeiros de uma história milenar que vocês se esforçam para apagar." Final dessa estória estávamos três crianças negras vestidos de escravos em um auditório cheio de gente branca rindo, tirando foto e aplaudindo”.

Após isso, levantaram-se várias dúvidas se realmente a escola em geral aborda o racismo devidamente. Segundo relato de alguns alunos do IFMG, a escola, de modo geral, discute o racismo apenas em dias especiais, como, por exemplo, no Dia da Consciência Negra, o que sugere que o Instituto poderia tornar esse tema mais presente no cotidiano escolar.

 

* Produzida por discentes, essa reportagem faz parte de uma série especial sobre o impacto das desigualdades na juventude de Ouro Preto. Orientada pela pelo professor de Língua Portuguesa Paulo Ricardo Moura.

 

Para conferir todas as publicações da série, acesse: Especial Juventude Ouro-pretana