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Campus contribui para a inclusão social de surdos com formação de comunicadores em Libras

Ofertado gratuitamente à comunidade, a capacitação beneficia 38 pessoas, entre servidores públicos da rede estadual e municipal de educação, profissionais da iniciativa privada, da área da saúde, pessoas que têm familiares surdos em casa, mulheres do lar. A formação, em nível intermediário, teve início em agosto e segue até dezembro.
publicado: 06/09/2019 13h03, última modificação: 06/09/2019 17h23

De acordo com dados do censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui 9,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva. Desse total, cerca de um milhão são jovens até 19 anos. Diante do complexo desafio da inclusão social e acessibilidade, a disseminação da Língua Brasileira de Sinais (Libras) é uma importante via para mudar essa realidade. 

Nesse intuito, o IFMG – Campus Governador Valadares oferta à comunidade o Curso de Língua Brasileira de Sinais (Libras) - Intermediário. A primeira turma desse nível, com 38 estudantes, iniciou as atividades no mês de agosto com previsão de término no início de dezembro. A capacitação é promovida em parceria  com a Prefeitura de Governador Valadares, através da Secretaria Municipal de Educação, e conta ainda com o apoio do Polo da Universidade Aberta do Brasil - UAB de Governador Valadares. 

O grupo conta com perfil diversificado, sendo formada por servidores públicos da rede estadual e municipal de educação (alguns inclusive já trabalham em sala de aula com crianças surdas), profissionais da iniciativa privada, da área da saúde, pessoas que têm familiares surdos em casa, mulheres do lar. Metade da turma é composta por ex-alunos do curso básico ofertado pelo IFMG-GV em 2018.

Ao longo da formação, de 160 horas no total, os alunos aprenderão conteúdos como educação de surdos, metodologia de ensino bilíngue, comunicação pela Língua dos Sinais e Libras, e mercado de trabalho. 

A intérprete de Libras do IFMG-GV, Vanessa Reis, que acompanha a professora surda Heloíza Flausino, responsável por ministrar as aulas, explica que o objetivo do curso, bem como do IFMG, “é qualificar os participantes para que conheçam  e se comuniquem de forma eficiente na Língua Brasileira de Sinais em ambientes de interação social e profissional”. Um diferencial do curso é “a destinação de 20 horas de estágio para que os alunos possam vivenciar a realidade dos espaços ocupados pelos surdos”, ressalta Vanessa.  

Educar para transformar! 

Raquel Silva Magalhães é mãe do Emanuel, de 3 anos. Tão logo ele nasceu, percebeu que o filho apresentava algo diferente em relação à audição. “Ele não assustava com barulho. Tinha o sono perfeito, o mais profundo do planeta. Daí, a gente procurou um médico, fez vários exames e descobriu a surdez. Decidimos, à época, pelo implante coclear”. 

Ela explica que houve avanços de Emanuel após o uso do aparelho, mas o que melhorou mesmo o processo comunicativo com o filho foi introduzir a Língua Brasileira de Sinais em sua rotina diária. “Nós percebemos que com a Libras o desenvolvimento dele está sendo 100%, tanto na escola quanto em casa. Ele era uma criança nervosa porque não conseguia se comunicar. Agora ele é outra criança, mais calma, inteligente, tudo que você mostra, ele faz o sinal [em Libras], fala – porque a gente oraliza também, né? Até mesmo para dar certo o tratamento que a gente propôs para ele”, explica animada Raquel. Ela conta que o esposo, a irmã e outros integrantes da família também estão aprendendo Libras. 

Raquel, que atua como auxiliar odontológico na Estratégia da Saúde do bairro Ipê e já ajuda na comunicação de pacientes surdos, deseja um ambiente de inclusão para a comunidade surda. “Meu sonho, como eu acho que é de toda mãe, é que todos os espaços tenham intérpretes e a Libras seja incluída na grade curricular tanto das escolas particulares como das públicas”. 

Outro aluno do curso empolgado com a oportunidade de aprender Libras para ajudar o próximo é o funcionário público Felipe Vieira Ribeiro, que trabalha na área da limpeza da E. M. Laura Fabri, no bairro Ipê. Ele conta porque se interessou pela formação. “Desde novo já tinha visto [pessoas] surdas e suas necessidades. Trabalho numa escola onde temos quatro alunos surdos, de idades variadas: 4, 12 e 13 anos. Comecei a frequentar a Igreja Batista e lá também tem surdos. E nessa convivência fui percebendo como é difícil a vida deles. Depois que as crianças da escola descobriram que eu sei um pouco de Libras toda vez que me veem correm pro meu lado pra conversar, pedir ajuda para alguma coisa... Aí eu fico pensando: Como é interessante a necessidade que as pessoas têm de se comunicar”. 

Felipe ressalta a importância de serem ofertados cursos gratuitos na área de Libras, pois geralmente esse tipo de formação apresenta custo elevado, o que inviabiliza a participação de grande parte da população. “Cursos como esse ofertado pelo IFMG-GV e outras instituições públicas da cidade é uma oportunidade única, pois abrem portas para você ter direito ao conhecimento. O curso de Libras não te ensina apenas a conversar com um surdo, ele te ensina a entendê-los. Por isso, hoje, falo que realmente passei a fazer parte da comunidade surda, porque comecei a compreender a necessidade deles, como pensam, como é o mundo aos olhos deles”, declara. 

Clique aqui e confira álbum de fotos da turma no Flickr do Campus

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Fonte: Campus Governador Valadares