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Intervenção preventiva em distúrbios de imagem corporal, transtorno alimentar e dismorfia corporal de jovens adultos: um ensaio clínico controlado randomizado em homens brasileiros

por Tatiana Toledo Ferreira publicado 15/10/2021 15h48, última modificação 15/10/2021 15h48

Justificativa

A presente pesquisa justifica-se por uma série de aspectos. Inicialmente, é importante compreender que os homens apresentam uma alta prevalência de insatisfação corporal, principalmente em relação a partes do corpo como ombros, peitorais e braços. Nesse público, busca-se um corpo mesomórfico, ou seja, com uma certa quantidade de músculos e baixa gordura corporal, dando maior visibilidade a musculatura. A insatisfação corporal nos homens tem sido associada ao desenvolvimento de transtornos mentais, como os transtornos alimentares e a dismorfia muscular – psicopatologia na qual o indivíduo se sente pequeno ou fraco quando na verdade é forte e musculoso. 

Contudo, homens são menos propensos a buscar tratamento ou suporte social em comparação às mulheres, principalmente devido ao auto-estigma de que eles não podem buscar auxílio psicológico, ou que estariam com um transtorno tipicamente feminino. Assim, intervenções preventivas interativas, como é o caso da intervenção “O Corpo em Questão: Mais do que Músculos”, pode ser uma alternativa para prevenção de variáveis como a insatisfação corporal, internalização da aparência ideal, sinais e sintomas de transtornos alimentares e dismorfia muscular. Ademais, outro progresso necessário é a avaliação da eficácia e efetividade das intervenções baseadas na dissonância cognitiva para aumentar os fatores de proteção para o desenvolvimento dos sintomas de transtornos alimentares e dismorfia muscular. 

Fatores de proteção não foram incluídos nos desfechos avaliados em estudos anteriores. Porém, torna-se necessário a inclusão de medidas de imagem corporal positiva, como por exemplo, apreciação corporal, uma vez que, ela pode ser um fator de proteção para o desenvolvimento das psicopatologias supracitadas. 

Adicionalmente, outros autores têm destacado a importância de pesquisas que elucidem métodos ideais para disseminação ampla dos programas de prevenção dos transtornos alimentares, como é o caso das intervenções baseadas na dissonância cognitiva. Embora a eficácia e efetividade desses programas já estejam comprovadas, poucos estudos foram realizados sobre como disseminá-los e implementá-los de maneira ampla. Assim, estudos devem explorar novos meios de implementar amplamente programas com eficácia comprovada para prevenção dos transtornos alimentares, como o uso da internet e o treinamento de líderes de pares. Tal estratégia consiste no treinamento de pessoas leigas, da mesma comunidade em que a intervenção será disponibilizada, bem como devem apresentar características semelhantes aos grupos da intervenção que irão conduzir. Essa abordagem pode reduzir significativamente os custos das intervenções, bem como aumentar a disponibilidade de provedores (líderes de pares). 

Para o melhor do nosso conhecimento, intervenções destinadas a jovens adultos do sexo masculino, como “O Corpo em Questão: Mais do que Músculos” não foram desenvolvidas e/ou adaptadas para população brasileira. Nesse sentido, autores alertam para a necessidade da implementação de programas de intervenção em realidades culturais diversas, bem como estudos que elucidem barreiras à disseminação bem-sucedida dessas intervenções. Além disso, devido à importância dada ao corpo e à aparência física no Brasil aliado à crescente identificação de insatisfação corporal em homens deste país e a associação desse distúrbio com patologias que comprometem a saúde, qualidade de vida e os relacionamentos pessoais, como os transtornos alimentares e a dismorfia muscular, deve existir uma prioridade na saúde pública através do desenvolvimento e disseminação de programas efetivos que visem minimizar ou prevenir essas psicopatologias. Em conjunto, essas características incitam o desenvolvimento desta pesquisa, visto que esse é um campo de estudos com potencial para a prevenção dos distúrbios de imagem corporal, transtornos alimentares e dismorfia muscular em homens.

 

Objetivos

Avaliar a aceitação e eficácia de uma proposta de intervenção preventiva, baseada na DC, com treinamento dos líderes a distância, na redução de sinais e sintomas de distúrbios de imagem corporal, TAs e DM, bem como no aumento da apreciação corporal em jovens adultos brasileiros.

 

Metodologia

Trata-se de um ensaio clínico de prevenção, alocação controlada e randomizada, desenho de intervenção paralelo, mascaramento aberto, com dois braços e seguimento prospectivo, no qual foram seguidas todas as recomendações do Consolidated Standards of Reporting Trials (CONSORT). 

O estudo foi conduzido com jovens universitários, com idade entre 18 a 30 anos, de qualquer cor, raça ou etnia, desde que regularmente matriculados na Universidade Federal de Juiz de Fora. Os jovens foram aleatoriamente divididos em dois grupos, intervenção e controle. 

Os universitários incluídos no grupo intervenção participaram de dois encontros que tiveram duração de aproximadamente duas horas cada. Nesses encontros eles realizavam atividades orais, escritas e comportamentais voltadas para temáticas relacionadas ao corpo e à aparência física. Além disso, entre as duas sessões eles realizavam algumas atividades comportamentais, como levantar atributos positivos em frente a um espelho, escrever um e-mail para um adolescente e criar estratégias para desafiar a “aparência ideal” imposta pela sociedade, principalmente dentro de seu contexto social. A última atividade foi nomeada de “ativismo corporal”.

 

Resultados esperados ou já alcançados

Em relação à aceitação da intervenção, os jovens destacaram uma alta aceitação. Em relação à significância clínica, houve reduções significantes da insatisfação corporal geral, insatisfação com o peso e a forma, insatisfação com a muscularidade, internalização da aparência ideal, comportamentos de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares e sintomas de dismorfia muscular. Além disso, esses resultados foram mantidos por até seis meses após a participação no programa.



Equipe

Maurício Almeida

 

Contato com a equipe do projeto

mauricio.almeida@ifmg.edu.br