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Narrativas das memórias do mundo do trabalho na educação profissional: da invisibilidade ao destaque

por Tatiana Toledo Ferreira publicado 15/10/2021 15h47, última modificação 15/10/2021 15h47

Justificativa

A História Oral é uma história construída em torno de pessoas. Ela lança a vida para dentro da própria história e isso alarga seu campo de ação. Ela traz a história para dentro da comunidade e extrai a história de dentro da comunidade. (THOMPSON, 1992).  Para Perez (2003, p. 10), ao incluir versões silenciadas/esquecidas de grupos sociais marginalizados, a História Oral privilegia aquelas histórias, irreconhecíveis como história – que não nos falam de fatos, mas de acontecimentos; que não se constituem em documentos, mas em signos, que não nos apresentam argumentos, mas sentidos.

Cada um de nós carrega dentro de si suas vivências, impressões, acompanhadas de suas aprendizagens. Não guardamos tudo, pois a memória é sempre seletiva. Vale ressaltar que nosso jeito de considerar o que é significativo ou não resulta do espaço e do tempo em que vivemos. A história de cada um de nós contém a história de um tempo, dos grupos a que pertencemos e das pessoas com quem nos relacionamos. Para Thompson (1992), a memória é a capacidade de reter, recuperar, armazenar e evocar idéias, saberes, sensações, emoções, sentimentos, informações e experiências acontecidas anteriormente. O que a memória grava, recalca, exclui, relembra é o resultado de um trabalho de organização, portanto toda memória é seletiva que é verbalizada por meio de narrativas.

 

Objetivos

Diante do exposto, o objetivo deste trabalho é analisar narrativas escritas e orais da experiência dos trabalhadores e trabalhadoras no Instituto Federal Minas Gerais- campus Ouro Preto. Entende-se que a constituição da memória institucional, como uma ferramenta da comunicação, cujo potencial de fortalecimento da marca e de aprimoramento do relacionamento das instituições com seus públicos e com a sociedade já vem sendo comprovado (OLIVEIRA, 2019). 

 

Metodologia

A metodologia adotada foi Pesquisa Narrativa (CLANDININ; CONNELLY, 2011) como “uma forma de entender a experiência” em um processo de colaboração entre pesquisador e pesquisado. A pesquisa narrativa mais comum pode ser descrita como uma metodologia que consiste na coleta de histórias sobre determinado tema onde o investigador encontrará informações para entender determinado fenômeno”, conforme Gonçalves e Thum (2019, p.05 apud Clandinin e Connely, 2000, p. 20). 

E a construção do corpus de histórias orais foi constituído por meio de entrevistas semi-estruturadas, realizada com horários pré-agendados e por meio da plataforma Google Meet, seguindo às recomendações para o momento de pandemia. O público-alvo abarca os servidores dos diversos setores, principalmente aqueles que estão nos bastidores do funcionamento da escola. 

 

Resultados esperados ou já alcançados

Os resultados preliminares apontam para uma ressignificação dos papéis desempenhados e atribuídos ao mundo do trabalho no contexto investigado. Os excertos trazem “a presença, a atividade, os gostos e as maneiras de ser” das pessoas em seu ambiente laboral (LE GOFF, 1990, p. 539-540). Para melhor apresentar os resultados, organizamos os trechos em unidades de contexto  na pré-análise. A primeira se refere à trajetória profissional da primeira participante, mulher, na casa dos cinquenta anos com mais de trinta anos de trabalho na instituição. Essa categoria nos remete a Aristóteles “O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra”

 

Flora: [...] me identifico muito com o setor de gestão de pessoas e eu faço com muito prazer  meu trabalho.

Paula: E o que te faz gostar tanto dessa área? 

Flora: de gestão de pessoas eu acho que é o convívio, sabe? Com as pessoas e poder ajudar a solucionar os problemas delas.

 

O segundo excerto trata da trajetória da servidora nos três períodos da instituição.

Flora: Olha, na verdade quando eu entrei, eu entrei na telefonia, para trabalhar como telefonista e logo depois que eu entrei teve um curso na escola sobre relações humanas, isso tem muitos anos, foi em 1993, e aí nesse curso de relações humanas as pessoas tinham momento que falavam sobre suas expectativas, do que elas queriam e eu me manifestei nesse curso e tudo, voltei a trabalhar normalmente só que a coordenadora do curso, professora do curso, foi assim uma coisa muito interessante, ela gostou da minha fala e aí ela comentou da minha fala para na época com o diretor  de gestão de pessoas, que na época era diretoria, ela comentou da minha fala e na semana seguinte eles me tiraram do setor de telefonia e eu passei a exercer a função de secretária do conselho superior e passei a trabalhar no setor de gestão de pessoas, aí eles me levaram para lá e aí depois disso né as administrações vão alterando aí eu já trabalhei  em praticamente todos os lugares da escola, eu trabalhei na gestão de pessoas por muitos anos, trabalhei na diretoria de ensino, trabalhei na diretoria de administração, já trabalhei no setor de tecnologia da informação há muitos anos atrás a gente publicava nas páginas da escola, trabalhei na comunicação social, trabalhei em quase todos os setores, trabalhei na DEEP, então assim eu trabalhei em quase todos os setores da escola, mas eu sempre rodo e volto para o setor de gestão de pessoas.

Pode-se perceber que a entrevistada reforça sempre seu sentimento de dever cumprido, relatando vários aspectos positivos em toda sua trajetória profissional no Instituto que também é atravessado por desafios, como mostra o próximo trecho da narrativa:

Flora: Meu sentimento, é o sentimento de dever cumprido, sabe? Eu acho que me dediquei bem, trabalhei bem e poderia  ter feito coisas melhores, que a gente nunca atinge o máximo da gente, poderia ter aprendido mais, né? Se eu tivesse passado por outros setores ainda poderia ter aprendido mais do que aprendi, mas para mim foi muito bom, eu não tenho o que reclamar, nesses três momentos de Escola Técnica, CEFET e IFMG, assim a gente passou por muita coisa difícil mas para mim foi muito tranquilo, vou aposentar com muita tranquilidade.

Essa primeira análise da trajetória de trabalho de uma das servidoras da Instituição permitiu observar algumas dimensões do mundo em que ela vive e como os sentidos são construídos por ela em relação a sua vida e a sua profissão.

 

Equipe 

Shirlene  Bemfica de Oliveira (Instituto Federal de Minas Gerais) - Coordenadora
Nathalia Emanuele Oliveira (Instituto Federal de Minas Gerais) - PIBIC
Thaís Ellen Romualdo de Oliveira (Instituto Federal de Minas Gerais) - PIBIC

 

Contato com a equipe do projeto

Shirlene  Bemfica de Oliveira: shirlene.o@ifmg.edu.br COORDENADORA

Nathalia Emanuele Oliveira: nathalia.emanuele@hotmail.com 

Thaís Ellen Romualdo de Oliveira: thaisellen1999@gmail.com