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Minas entra na corrida espacial com lançamento do primeiro satélite 100% mineiro

Desenvolvido com participação de startup incubada no IFMG Campus Ouro Branco, o UaiSat foi lançado nesta segunda-feira (12) pela Agência Espacial Indiana.
publicado: 12/01/2026 20h35, última modificação: 12/01/2026 20h35

Minas Gerais cruzou simbolicamente a fronteira do espaço na madrugada desta segunda-feira (12). O UaiSat, nanossatélite que integra a missão MGSAT-1, foi lançado a partir do Centro Espacial Satish Dhawan, em Sriharikota, na Índia, a bordo do foguete PSLV-CMAI62, da Agência Espacial Indiana (ISRO). A decolagem ocorreu às 10h17 no horário local (1h47 em Brasília) e marcou um feito inédito para a ciência e a inovação desenvolvidas em solo mineiro.

No Brasil, o lançamento foi acompanhado pela Uai Soluções e Integração, empresa incubada no Ouro Hub, ambiente de inovação do IFMG Campus Ouro Branco. Especializada no desenvolvimento e integração de placas de circuito impresso, a startup participou diretamente da construção do satélite. Apesar do sucesso do lançamento inicial, o foguete não conseguiu concluir a missão prevista: cerca de dez minutos após a decolagem, retornou à atmosfera, impedindo a inserção do UaiSat em órbita, onde o equipamento deveria operar por até quatro anos.

Segundo o líder da missão, João Pedro Polito, a experiência representa um avanço significativo. “A missão nos ensinou muito. Em dois anos, conseguimos desenvolver, lançar e levar nosso satélite ao espaço. Mesmo não estando com o satélite em órbita, a estação de rastreio e controle está montada, vamos operar com outros satélites”, afirmou. Ele destaca ainda que o projeto consolida a atuação do grupo no setor espacial brasileiro. “O que temos construído em termos de tecnologia tem nos posicionado como player nacional na construção de satélites”, conclui. A meta é lançar 12 satélites nos próximos três anos. Até o fim de 2026, está previsto o lançamento do Profeta 1.

Pioneirismo em solo mineiro

O projeto entra para a história como o primeiro satélite totalmente desenvolvido em solo mineiro e o primeiro PocketQube (nanossatélite ultracompacto de baixo custo e alto valor tecnológico) construído por uma universidade brasileira a chegar à órbita. O UaiSat foi desenvolvido no Laboratório Integrado de Sistemas Espaciais (LISE), da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) no Campus Alto Paraopeba. Com apenas 5 cm x 5 cm, o nanossatélite concentra tecnologias voltadas à pesquisa científica, à inovação e a aplicações práticas com potencial impacto econômico.

A equipe do projeto é formada pelos professores Marcos Kakitani e Moacir Souza, do curso de Engenharia de Telecomunicações da UFSJ, além dos pesquisadores e estudantes João Pedro Polito, Hikari Beatriz, Paulo Dutra e Antônio Salvador.

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Rumo ao espaço 

535cb6a0-54fe-40a3-b805-17806eeb55db.jpegA missão MGSAT-1 conecta a universidade e o setor produtivo. Entre os objetivos estão o apoio ao agronegócio, por meio da coleta de dados para monitoramento e otimização de processos no campo; o monitoramento climático, com sensores dedicados ao estudo de raios e tempestades em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE); e a validação de hardware e software em ambiente espacial, fortalecendo a autonomia tecnológica brasileira.

O caminho até o lançamento envolveu uma longa sequência de testes e certificações. A montagem do satélite foi concluída em agosto de 2024. Em janeiro de 2025, o UaiSat foi entregue em Brasília para os trâmites iniciais de logística espacial. Nos meses de maio e junho, passou por verificações de rádio e testes de qualificação para suportar as condições extremas do lançamento. Em dezembro, seguiu para a Índia, onde realizou testes finais no início de janeiro de 2026, antes de ser integrado ao foguete PSLV-C62, concluindo os preparativos para o voo.

Lançamento

Segundo a UFSJ, o foguete chegou a cerca de 370km de altitude, ficando bem próximo de onde seria a órbita do UaiSat, a 511km.  

Fonte: UFSJ

Fonte: ISRO Official 

Sobre o LISE/UFSJ

O Laboratório Integrado de Sistemas Espaciais (LISE) da UFSJ atua no desenvolvimento de tecnologias espaciais, promovendo a democratização do acesso ao espaço e a formação de mão de obra altamente qualificada no Brasil.