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Campi que não suspenderam calendário acadêmico relatam experiências

Servidores e alunos dos campi Betim, Governador Valadares e Ponte Nova falam sobre dinâmica de atividades e impressões sobre o ensino remoto.
publicado: 24/07/2020 17h46, última modificação: 29/07/2020 15h23
Exibir carrossel de imagens Professora Carolyne Ávila, do Campus Valadares, avalia adaptações ao regime remoto

Professora Carolyne Ávila, do Campus Valadares, avalia adaptações ao regime remoto

O IFMG optou, a partir de 18 de março, pela suspensão das atividades presenciais em todos os campi, em virtude da pandemia do coronavírus. Ainda assim, unidades cujo conselho acadêmico avaliasse possível a não suspensão do calendário e substituição de aulas presenciais por atividades remotas poderiam manter o calendário em andamento. Esse foi o caso dos campi Betim, Governador Valadares e Ponte Nova.

A experiência de docentes e alunos destes campi torna-se relevante principalmente porque, para o segundo semestre deste ano, o IFMG, por meio da Instrução Normativa 05/2020, publicada no dia 18 de junho, estabeleceu diretrizes para o ensino remoto em todas as unidades. A determinação tem como finalidade a elaboração de estratégias pedagógicas, por parte dos conselhos acadêmicos de cada campus, para o cumprimento do calendário letivo.

Confira alguns relatos de servidores e alunos dos campi que não suspenderam o calendário e conheça as estratégias adotadas.

Betim

No Campus Betim, as aulas remotas foram adotadas ainda em 18 de março. Segundo a diretora de Ensino, Pesquisa e Extensão da unidade, Jaqueline Oliveira, todas as atividades e aulas virtuais estão sendo realizadas na plataforma Moodle, por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Ainda segundo a diretora, as coordenações dos cursos, em parceria com docentes da área de Informática, cadastraram todas as disciplinas e estudantes no ambiente virtual.

Jaqueline destaca que o diálogo com professores, equipe pedagógica e alunos foi fundamental para a implantação do regime remoto. "Criamos documentos com orientações aos docentes e discentes para esse período, constando a forma de trabalho, as avaliações e o desenvolvimento das disciplinas. Ainda fizemos orientações, diretamente, por meio de reuniões via web conferências com docentes, discentes e equipe pedagógica", ressalta.

Reuniões com pais e responsáveis de alunos dos cursos integrados também foram realizadas, a fim de orientar e explicar às famílias dos estudantes a metodologia adotada para o período. A diretora aponta também que os estudantes contam com atendimentos de diversos setores do campus, como secretarias acadêmicas, bibliotecas e rede de psicólogos.

Adaptações

Para minimizar a sobrecarga de trabalhos aos alunos dos cursos técnicos integrados, a direção de Ensino realizou reestruturação na condução das disciplinas, que foram divididas em blocos, a fim de equilibrar as atividades semanais. A aluna Samira de Oliveira aprovou a ideia. "Com essa mudança, ficou bem mais fácil estudar e compreender os conteúdos, além de contarmos com a ajuda da coordenação de cada curso, que está apta a nos auxiliar", avalia.

"O momento que estamos vivendo é bem complexo, mas estamos confiantes de que juntos podemos passar por isso" - Samira de Oliveira

Para cursos de graduação, as aulas seguem os planos de ensino e horários das atividades presenciais. "Os professores estão sendo compreensivos e dando apoio. A coordenação também está auxiliando muito, o que tem ajudado bastante, pois sempre procuram resolver nossos problemas ou tirar dúvidas", destaca Clarice dos Santos, estudante do segundo ano de Química.

Para os docentes da unidade, as adaptações nos planos de ensino e a transposição do conteúdo para o ambiente virtual representaram não só desafios, como novas possibilidades. "Para as aulas, novas ferramentas tiveram que ser buscadas e aprendidas rapidamente e sinto que a cada dia a qualidade das aulas aumenta e a facilidade em lidar com essas ferramentas também", ressalta a professora e coordenadora do curso técnico de Automação Industrial, Michelle Santos, que ainda destaca a crescente demanda da coordenação do curso.

Além disso, os professores avaliam que estas tecnologias e ferramentas chegaram para ficar e vão integrar muitos planos de ensino, mesmo quando as atividades presenciais forem retomadas. "Acredito que o aprendizado de como integrar um pouco mais da tecnologia na prática pedagógica ficará para todos os envolvidos. Essa prática pode ser interessante como estratégia para enriquecer a experiência de nossos alunos na sala de aula e não só para momentos de pandemias ou desastres naturais", avalia a docente Ligiane Gouvea.

Governador Valadares

Aluno do Campus Valadares, Alessandro vive nova rotina durante ensino remoto

Assim como no Campus Betim, a unidade do IFMG em Governador Valadares, cujo conselho acadêmico optou pela retomada das atividades de forma remota em 1º de junho, também utiliza como canal didático a plataforma Moodle. Ainda assim, para melhor atender às especificidades de cada disciplina e para mais efetividade, os professores podem optar por outras ferramentas, de forma complementar.

O cronograma de atividades semanais acompanha a carga horária discriminada na IN 05/2020, sendo que os docentes realizam, pelo menos uma vez por semana, um encontro online com os alunos por meio de plataformas de comunicação virtual. Para as demais práticas pedagógicas, são encaminhadas atividades e exercícios aos estudantes.

A professora e coordenadora do curso técnico integrado em Edificações, Carolyne Ávila, que participou do desenvolvimento do plano de ensino remoto, conta que a experiência é de adaptação diária. "Percebi que não se tratava simplesmente de transferir conteúdos e planos de aulas do ensino presencial para uma plataforma virtual", destaca.

"Uma experiência desafiadora e enriquecedora, todos os dias é necessário avaliar o que está dando certo e o que não está" - Carolyne Ávila

Além disso, a docente, que leciona nos cursos superiores e nos médio integrados, avalia que o processo de ensino-aprendizagem é diferente do presencial e que demanda mais atenção do professor, não só em relação à apreensão do conhecimento, mas também às eventuais dificuldades de acesso ao conteúdo pelo estudante.

Para a aluna do sexto período de Engenharia de Produção, Talita Falcão, o ensino remoto promove o desenvolvimento de novas capacidades. "Minha experiência tem sido interessante, pois fez com que nós, discentes, nos tornássemos mais resilientes", explica a estudante. O aluno do terceiro período do curso técnico subsequente em Segurança do Trabalho, Alessandro Alvernaz, reconhece a dificuldade de alguns colegas, mas ressalta esse mesmo cuidado das coordenações e dos docentes. "É notório o esforço de todos, a preocupação com a dificuldade de cada um e com o nosso aprendizado", afirma.

Ponte Nova

O Campus Ponte Nova também optou pela manutenção das atividades acadêmicas de forma remota após deliberação do conselho acadêmico da unidade. Segundo o diretor-geral, Leonardo Paiva, foram elaborados documentos, destinados à comunidade acadêmica, que orientavam docentes e alunos em relação ao uso de ferramentas online e ao plano de ensino.

Diretor do Campus Ponte Nova, Leonardo Paiva, destaca empréstimos de computadores

Leonardo ressalta que um dos maiores desafios para a manutenção do calendário estava relacionado à inclusão dos alunos ao ambiente virtual. Para reduzir o impacto dessa questão, o setor pedagógico do campus realizou levantamento relacionado às condições sociais dos estudantes, dentre as quais, de saúde, alimentação e acesso à internet.

Após a realização da pesquisa, a direção da unidade garantiu a entrega de computadores a estudantes, moradores de Ponte Nova e de cidades vizinhas, que manifestaram interesse em receber os equipamentos. Além disso, alunos contemplados com a assistência estudantil e que não possuíam pacotes de internet receberam um aumento do benefício para contratação do serviço. Além dos equipamentos eletrônicos, foram doados também alimentos do Pnae.

Diálogo

"O campus ainda realizou reuniões junto a docentes, alunos e familiares, com vistas a discutir quais seriam as melhores estratégias para continuidade dos estudos de forma não presencial", informou Leonardo, que destacou também as constantes conversas com o conselho acadêmico da unidade.

Definidas as estratégias e ferramentas, os docentes e alunos foram orientados para o início do trabalho remoto. De acordo com o diretor, durante a realização das atividades, a equipe pedagógica do campus seguia avaliando práticas, ferramentas e estratégias, a fim de otimizar ainda mais o processo de ensino-aprendizagem. Para ele, o retorno dos alunos foi positivo.

 

Colaboração dos setores de comunicação dos campi citados