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Evento debate memória institucional, história oral e perspectivas

Organizado pelo Centro de Memória do IFMG, atividade reuniu estudantes e pesquisadores na plataforma Google Meet e teve programação temática ao longo de dois dias.
publicado: 02/07/2020 14h37, última modificação: 03/07/2020 10h34

Estudantes, docentes, pesquisadores do IFMG e de outras instituições estiveram reunidos virtualmente, nos dias 17 e 18 de junho, para participar do evento “Centro de Memória: história oral e perspectivas”. Realizado via plataforma Google Meet, o encontro debateu educação profissional e tecnológica, memória, memória institucional e história oral, além de questões relacionadas à construção do Centro de Memória, projeto que está em andamento desde 2019, sob a coordenação do professor Pablo Menezes.

A abertura ocorreu na manhã do dia 17 de junho, com a presença do reitor Kleber Glória; do pró-reitor de extensão, Carlos Bernardes; do pró-reitor de Pesquisa, Fernando Braga; e do diretor de Cultura, Esporte e Relações Institucionais, Flávio Puff. Kleber destacou a importância do Centro de Memória para valorização da história do IFMG, algo que sempre esteve presente em seu plano de gestão. Já Fernando Braga ressaltou a satisfação em ver a continuidade do trabalho, que foi iniciado no período em que era pró-reitor de Extensão. Lembrou que o projeto foi construído com a participação e o esforço coletivo de diferentes áreas e saberes e, ao mesmo tempo, com o cuidado na escolha de uma abordagem que possibilitasse o desenvolvimento de narrativas e conteúdos acessíveis e atrativos para todos. Na coordenação dos trabalhos, o professor Pablo Menezes ressaltou a satisfação de ver atividades como essa sendo realizadas, falou sobre o desenvolvimento do projeto e apresentou a equipe envolvida: os professores Douglas Puglia e Flávio Puff, a técnica em assuntos educacionais Lívia Azzi e o pesquisador bolsista Denis Tavares.

Na sequência, foi uma iniciada uma mesa-redonda, com a participação de Denis, que levantou questões sobre a importância de se fazer o percurso de investigação sobre a história do Instituto Federal de Minas Gerais para definir sua identidade. O professor destacou que a memória é uma categoria central de análise que possibilita a apreensão e a construção do passado, ela estabelece uma relação dialética entre o passado memorizado e a sua atualização a partir das experiências do presente. Além disso, as memórias, tanto individuais quanto coletivas, não são lineares, mas abertas e contínuas. Ao discutir a memória institucional, o pesquisador sinalizou que esta categoria permite pensar a instituição em si, sua identidade, origem, percursos, e também o seu entorno, a percepção e a legitimação do meio social e do pertencimento ao IFMG.

Professor do Cefet-MG, Irlen Gonçalves abordou a importância das questões do trabalho e da reivindicação que se fazem necessárias como objeto de estudo no Brasil. Países como Alemanha, França, Suécia, Estados Unidos e Canadá têm seu campo de estudo especializado na educação profissional e tecnológica. Percorrer o passado do trabalho implica em analisar as escolhas que foram feitas e os discursos em vigor na época. Para ele, é preciso ter consciência e ética na abordagem sobre o trabalho e a memória, já que se tratam de processos de seleção que remetem a relações de poder e que implicam em operações de inclusão e exclusão.

A mesa-redonda foi encerrada pelo professor do IFMG, Daniel Diniz, que relatou a experiência da criação do laboratório de memória no Campus Ouro Preto. O local tem reunido documentos variados da antiga escola técnica federal. O espaço conta com ambientes para tratamento, conservação e guarda do acervo. Um dos projetos vinculados ao laboratório foi conduzido inicialmente pelo professor Arthur Versiani, falecido em 2018, cujas ações têm sido continuadas com a metodologia de história oral e a realização de entrevistas com ex-alunos e antigos e atuais servidores.

Confira a gravação do primeiro dia do evento:

 

Segundo dia de programação

No dia 18 de junho, a programação foi iniciada pelo docente Lucas Carvalho, que trouxe para a discussão sua experiência na pesquisa com história oral na construção de uma memória do trabalho na cidade de Betim. Destacou a importância do ato de escuta do pesquisador durante a realização das entrevistas, que deve estar atento à fluidez e à espontaneidade da fala do entrevistado, não se preocupando apenas com a rigidez do roteiro. Essa espontaneidade ou esses fatores inesperados permitem captar as contradições mais subjetivas, os conflitos e as relações de poder que, por sua vez, possibilitam uma construção interpretativa de sentidos e significados da pesquisa. 

O encontro virtual foi encerrado pelo professor Fabrício Costa de Oliveira, da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG). Ele ministrou uma oficina sobre métodos e abordagens da História Oral. Evidenciou a importância de se ter um roteiro geral interligado a roteiros específicos, a fim de possibilitar a coleta e o cruzamento de dados. Esses roteiros são centrais no sentido de conferir um alinhamento comum durante a interpretação das entrevistas. Para isso, é preciso ter clareza das linhas de trabalho a serem construídas, além do cuidado com as pessoas a serem entrevistadas: utilização de termos de autorização, submissão da pesquisa ao comitê de ética, além da devolutiva aos participantes do material coletado. Para concluir, destacou que o Centro de Memória deve estar à serviço da comunidade de um modo geral, e não restrito a uma gestão política.

Este foi o primeiro evento realizado na área da memória institucional. O projeto foi concebido sob o referencial metodológico das narrativas imagéticas e não lineares e culminou no edital nº 75/2019, que teve submetida e aprovada pela Pró-reitoria de Extensão a proposta do professor Pablo Menezes.

Veja a gravação do segundo dia de atividades, disponível no canal IFMG Play, no YouTube.