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Campus São João Evangelista recebe curso sobre heranças Bantu-Kongo na Bacia do Rio Doce
O Campus São João Evangelista recebe, entre os dias 6 de fevereiro e 11 de abril, o Programa Escola Nacional Nego Bispo, com a oferta do curso de Extensão “Vozes que a terra guarda: narrativas angoleiras da Bacia do Rio Doce”. A iniciativa tem como objetivo fortalecer o reconhecimento, a valorização, o estudo e a difusão das línguas e dos saberes que a diáspora Bantu-Kongo enraizou na região.
A proposta parte do reconhecimento de que a Bacia do Rio Doce foi povoada por descendentes desses povos, que reconstruíram suas trajetórias, modos de vida e pertencimento, mantendo viva uma herança cultural muitas vezes silenciada, mas ainda presente no cotidiano das comunidades. Ao longo do curso, esses saberes serão abordados a partir das narrativas do mestre do território Manzo Ngunzo Amazilemba, com destaque para mitologias, memórias, cosmologias e tradições orais preservadas por adeptos do Candomblé de Nação Angola de raiz Muxicongo, sempre em diálogo com a realidade local.
As atividades combinam encontros presenciais e virtuais, síncronos e assíncronos, integrando teoria, prática e espiritualidade. A programação inclui contação de histórias, ensino de práticas orais como rezas, cantigas e malembe, trilhas ecológicas, oficinas de folhas e culinária, exibição de documentários e leituras orientadas. A proposta busca promover o diálogo entre tradição e contemporaneidade, oralidade e escrita, natureza e espiritualidade.
O curso é voltado a estudantes de licenciaturas, servidores, artistas e integrantes de comunidades tradicionais e rurais da Bacia do Rio Doce.
Interessados que não realizaram a inscrição prévia poderão participar como ouvintes. Para isso, devem encaminhar e-mail para ana.drummond@ifmg.edu.br com as seguintes informações: nome completo, CPF, e-mail, nacionalidade, telefone e perfil (servidor, estudante ou público externo)
Clique aqui | Acesso o cronograma do curso
Sobre a Escola Nacional Nego Bispo
A Escola Nacional Nego Bispo integra saberes tradicionais à formação de estudantes de licenciatura de instituições públicas de ensino superior e de educação profissional e tecnológica, por meio da atuação de mestras e mestres de saberes nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. A iniciativa contribui para a efetivação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino das histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas na educação básica.
O programa também integra a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq), com foco no pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, no fortalecimento de perspectivas decoloniais e no protagonismo de sujeitos, trajetórias e territórios.
