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IFMG monitora situação após extravasamentos da Vale e reforça apoio a territórios impactados pela mineração

Quilombo do Campinho está entre os territórios acompanhados pelo IFMG após ocorrências ligadas à mineração em Congonhas.
publicado: 03/02/2026 13h09, última modificação: 06/02/2026 09h10

Após os recentes episódios de extravasamento de estruturas ligadas à atividade minerária em Congonhas, no fim de janeiro, o IFMG acompanha de perto a situação. A atenção se volta especialmente para possíveis impactos socioambientais em territórios vizinhos, como o Quilombo do Campinho, comunidade tradicional localizada no município, onde também está instalado um campus da instituição.

A atuação do Instituto nesses contextos não é pontual. O IFMG está inserido na Bacia do Rio Doce, atingida pelo rompimento da barragem de Fundão (2015), com campi em Conselheiro Lafaiete, Ouro Branco, Ouro Preto, Governador Valadares, Ipatinga, João Monlevade e Ponte Nova. Nessas regiões, o Instituto participa de discussões sobre a repactuação da Bacia, dialogando com movimentos sociais, como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), e propondo projetos de ensino, pesquisa e extensão voltados à reparação socioeconômica e ambiental. Campi como os de Ipatinga e Governador Valadares, por exemplo, já sediaram eventos e debates voltados a essas ações.

O IFMG também está presente na Bacia do Rio Paraopeba, impactada pelo rompimento da barragem em Brumadinho (2019), onde desenvolve iniciativas voltadas à diversificação econômica de regiões historicamente dependentes da mineração. Outras ações do IFMG em áreas de mineração referem-se à implantação do Parque Tecnológico Distribuído, com atuação em São Gonçalo do Rio Abaixo, próximo à mina de Brucutu, além de articulações para implantação de novas estruturas em Brumadinho e Congonhas, com envolvimento da Pró-Reitoria de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação. A proposta é estimular inovação, geração de conhecimento e novas matrizes econômicas, contribuindo para a transição produtiva e sustentável desses territórios.

Em Congonhas, esse compromisso se concretiza de forma direta no projeto de fortalecimento do Quilombo do Campinho. A iniciativa articula ensino, pesquisa e extensão e apoia o processo de valorização da identidade quilombola e dos direitos territoriais por meio de ações educativas, formativas, culturais e comunicacionais. Entre as atividades estão a produção de materiais informativos sobre titulação de terras quilombolas, encontros formativos com lideranças, intercâmbios com outras comunidades quilombolas mineiras, apoio a eventos culturais tradicionais e capacitação de jovens para atuação em mídias comunitárias.

Nesse contexto, o IFMG também destaca a importância de proteger comunidades tradicionais, cujos modos de vida estão diretamente ligados aos territórios que ocupam, conforme reconhecem o Decreto nº 6.040/2007 e a Convenção nº 169 da OIT. A atenção a esses territórios dialoga ainda com legislações como a Política Estadual dos Atingidos por Barragens (PEAB – Lei Estadual nº 23.795/2021) e a Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens PNAB – Lei Federal nº 14.755/2023), além da Lei de Segurança de Barragens (Lei nº 23.291/2019), que reforçam o direito à reparação, à consulta prévia e à participação das comunidades, priorizando a proteção da vida, do meio ambiente e dos territórios.

O IFMG seguirá acompanhando os desdobramentos da situação em Congonhas e mantendo sua atuação junto às comunidades do território, reafirmando seu compromisso permanente com a justiça socioambiental, a defesa da vida e a valorização dos povos e culturas tradicionais.