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Professor do IFMG integrou equipe que venceu prêmio de patente em 2020

Junto a outros pesquisadores da UFMG, docente do Campus Sabará atuou no desenvolvimento de uma sonda mais eficiente, que pode ser utilizada no tratamento da Covid-19.
publicado: 27/01/2021 10h34, última modificação: 27/01/2021 10h34

Um modelo de sonda que propicia mais eficiência ao processo de aspiração de secreções em pacientes internados em hospitais rendeu à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) o prêmio Patente do Ano (2020), concedido pela Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI), que no ano passado contemplou processos destinados ao enfrentamento da pandemia de Covid-19. A patente, intitulada "Método e Sonda de Aspiração Endobronquial de Secreções", foi depositada em 2009 e concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) no último mês de dezembro.

Entre os inventores estão os professores Marcos Barbosa (falecido em 2016) e Claysson Santos Vimieiro, ambos da UFMG, bem como a professora Shirley Lima Campos (UFPE) e o professor Daniel Neves Rocha (IFMG - Campus Sabará). Segundo Claysson, os estudos para a geração da patente foram motivados por demanda da professora Shirley, que atuava como fisioterapeuta especialista na aspiração de secreções, como aquelas geradas nas pneumonias, e trabalhou com o tema durante seu doutorado.

Maior eficiência

De acordo com o professor Daniel Rocha, que também é diretor-geral do Campus Sabará, “o formato da sonda mais utilizada atualmente é um tubo inserido pela boca do paciente". "O problema é que nem sempre esse tubo é direcionado ao lado do pulmão desejado, ou melhor, o lado do pulmão que está acometido. De fato, o profissional de saúde não sabe ao certo que pulmão está sendo aspirado”, explica.

Com isso, a equipe de pesquisadores pensou em um novo tipo de sonda, com dois tubos, praticamente autodirecional. Nessa invenção, uma ponta vai para um lado e a outra vai para outro lado, o que faz com que o profissional de saúde tenha certeza de que está aspirando os dois pulmões ou aquele que está realmente com problemas.

Outra vantagem é que isso diminui os riscos de aspirar a extremidade de um pulmão que não possui secreção, ou seja, que está normal. Além disso, evita um procedimento comum realizado atualmente: aspirar e tirar a sonda por várias vezes, o que pode acabar espirrando aerossóis (pequenas gotículas de secreção) no ambiente hospitalar. “Naquele momento, a ideia era que a invenção fosse utilizada nas mais diversas doenças respiratórias, mas hoje acabou por se tornar um instrumento valioso contra a disseminação da Covid-19”, explica Daniel.

Novo formato e custo baixo

Tendo atuado especialmente na reconstrução da geometria da sonda, o docente do IFMG afirma que, “com o uso desse novo instrumento, é possível escolher que lado aspirar ou mesmo fazer isso simultaneamente, afinal, há dois pequenos orifícios que podem ser utilizados nesse trabalho”. Ele explica também que “outro grande ganho nessa patente é o custo estrutural baixo, o que facilita o acesso por parte do sistema público de saúde. É o mesmo material utilizado nas sondas atuais, só que com uma construção diferente que acabou gerando todo esse ganho”.

Desdobramentos no Instituto

Ainda segundo Daniel, “um dos desdobramentos do projeto foi o desenvolvimento de outros com o envolvimento de alunos do IFMG. Foi possível reconstruir partes do corpo humano como coração, cérebro e pulmão para auxiliar em aulas de ciências e biologia”, conclui.