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Vamos compreender melhor o Transtorno do Espectro Autista (TEA)?

Abril é o mês de sensibilização sobre o TEA, estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como forma de aumentar a conscientização relacionada a todos os aspectos deste transtorno.
publicado: 09/04/2026 12h35, última modificação: 10/04/2026 09h19

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) refere-se a uma série de condições caracterizadas por algum grau de comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem, e por interesses restritos de atividades que podem ser realizadas de forma repetitiva.

Geralmente, o TEA começa na infância e tende a persistir na adolescência e na idade adulta. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, uma a cada 36 crianças apresentam TEA. Apesar de ser uma condição identificada na maioria das vezes ainda na infância, o autismo vem sendo diagnosticado com cada vez mais frequência também em adultos. O autismo é causado pela interação entre múltiplos fatores de natureza genética e componentes ambientais, ainda não totalmente determinados.

As ações de tratamento consistem em terapia comportamental multidisciplinar especializada em transtornos do desenvolvimento e autismo, contando com psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e psicopedagogos, entre outros profissionais.

Quer aprender mais sobre o assunto? No dia 15 de abril, às 11h, será realizada a "Live Abril Azul - Desmistificando o autismo". Participe! unte-se a nós neste momento de troca, conscientização e compromisso com a inclusão.

💙 LIVE Abril Azul: Desmistificando o Autismo
Data: 15 de abril (quarta-feira)

Horário: 11h
Local: Via Teams | clique para assistir

Autismo e trabalho

Recentes progressos na inclusão de autistas no ensino, tanto médio quanto superior, além de avanços nas terapias e no oferecimento de serviços de suporte em alguns países, tendem a gerar aumento no número de autistas que buscam posições no mercado de trabalho. A inclusão laboral desses indivíduos está associada a uma melhor qualidade de vida, entre outros benefícios. Permite ainda a concretização das potencialidades dos autistas, desenvolvidas durante anos de terapias e formação acadêmica. Adicionalmente, o trabalho provê recursos para a sobrevivência e para o atingimento de metas dos indivíduos, como a independência financeira e a satisfação pessoal com o significado do que foi realizado.

Enquanto outras deficiências necessitam de mudanças arquitetônicas (...) que são visíveis e fáceis de serem identificadas, no espectro autista a barreira a ser superada na maioria das vezes é invisível, pois ela é atitudinal..

No mundo exigente e competitivo do trabalho, a intensa carga de estresse e problemas de relacionamento e adaptação atacam a autoestima e a saúde mental dos autistas, que se tornam mais susceptíveis a problemas como depressão e ansiedade afastando-os do trabalho. Ambientes sem suporte ou adaptações, em que ocorrem discriminação e perseguições de colegas e chefes, agravam a situação. Ambientes físicos inadequados, postura insensível de gestores e colegas, falta de incentivos e políticas públicas são fontes de empecilhos à adaptação ao trabalho, podendo tornar inviável a atuação de muitos dos autistas no mercado. Em uma pesquisa realizada pelo jornal The Guardian, no ano de 2016, foi percebido que apenas cerca de 16% dos adultos autistas têm trabalho remunerado em tempo integral. Foi visto que o bullying no local de trabalho é abundante.

Enquanto outras deficiências necessitam de mudanças arquitetônicas como construção de rampas que são visíveis e fáceis de serem identificadas, no espectro autista a barreira a ser superada na maioria das vezes é invisível, pois ela é atitudinal, cujos componentes são ocultos, não físicos. Manifestam-se por meio de preconceitos, estigmas e estereótipos, resultando na discriminação das pessoas com deficiência. A superação desses comportamentos exige, muitas vezes, a mudança de uma cultura de valores já preestabelecida, trazendo uma consciência coletiva sobre a importância da inclusão para toda a sociedade, em especial para a pessoa com deficiência. Abaixo algumas dicas que podem auxiliar na inclusão das pessoas com TEA.

Dicas no ambiente de trabalho

• Acolhimento: Acolha a pessoa com TEA e incentive que ela fale sobre suas dificuldades e habilidades. A pessoa com TEA precisa comunicar a organização suas necessidades de forma transparente e direta;
• Adaptação do Ambiente: Adapte o trabalho de acordo com o formato que a pessoa com TEA demande. A redução de estímulos sensoriais (ruídos, luzes fortes), ou fornecimento de fones de ouvido podem trazer mais conforto. Geralmente há baixa tolerância a barulhos, ambientes agitados, muita iluminação, assim como contato visual prolongado e contato físico muito próximo;
• Alterações no local de trabalho: Pode ser necessário também mudanças no ambiente de trabalho em relação à disposição de objetos e móveis ou mesmo de características culturais preestabelecidas antes da entrada da pessoa com deficiência no setor;
• Rotina Previsível: As chefias precisam comunicar para a pessoa com TEA todas as tarefas que precisam ser realizadas e como devem ser realizadas. Estruturar as tarefas com previsibilidade e fornecer rotinas diárias claras para oferecer conforto e segurança. Pessoas com TEA tendem a ficar ansiosos e irritados quando precisam fazer atividades não planejadas e geralmente tem facilidade com atividades que envolvam regras, padrões e conceitos bem definidos;
• Foco nas Habilidades: Valorize características comuns no TEA, como alto nível de foco, organização e atenção a detalhes. Podem ter um desempenho acima da média em algumas atividades, visto que possuem interesses restritos e repetitivos (hiperfoco), o que os pode tornar bastante talentosos em áreas com as quais possuem afinidade;
• Comunicação Direta: Evite o uso de metáforas ou linguagem ambígua e seja claro, direto e objetivo sobre as tarefas esperadas. TEA podem ter dificuldade de interpretar linguagem não verbal, como expressões faciais (olhar, gesto, por exemplo) e pouca aptidão em compreender ironias, metáforas ou mensagens com duplo sentido, podendo parecer uma pessoa ingênua ou não maliciosa. Há uma limitação em compreender coisas abstratas, o que se traduz por um perfil bastante objetivo e direto. Certifique-se também de que a mensagem foi compreendida;
• Dificuldade sobre alguns sentimentos e situações - Sinais discretos para sentimentos como tristeza, alegria, raiva e cansaço, por exemplo, geralmente não são percebidos pelos autistas, o que pode ser visto como falta de empatia. Eles podem apresentar dificuldade em expressar também afeto e falar sobre seus sentimentos, assim como em receber demonstrações de carinho e compreender o sentimento dos outros;
• Estimular o profissional com deficiência a sugerir soluções para os problemas - Escute as pessoas com TEA na sugestão de soluções para os problemas que surgirem;
• Treinamento da Equipe: Capacite as lideranças e colegas de equipe para entender o autismo e promova acessibilidade atitudinal.